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Brasile
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ManueL caMbeses Júnior
As Forças Armadas brasileiras e
a Política de Defesa Nacional
O
Brasil é um país guiado por um sentimento de paz. Não abriga nenhuma
ambição territorial, não possui litígios em suas fronteiras e, tampouco, ini-
migos declarados. Toda ação por ele empreendida nas esferas diplomática
e militar, busca, sistematicamente, a manutenção da paz. Porém, tem interesses a
defender, responsabilidades a assumir, e um papel a desempenhar, no tocante à Se-
gurança e Defesa, em níveis hemisférico e mundial, em face de sua estatura político-
estratégica no concerto das nações. O primeiro objetivo de nossa Política de Defesa,
portanto, deve ser a de assegurar a defesa dos interesses vitais da Nação contra qual-
quer ameaça forânea. Não se pode precisar, a priori, a fronteira entre os interesses
vitais e os interesses estratégicos. Os dois devem ser defendidos com ênfase e deter-
minação. Essencialmente, os interesses estratégicos residem na manutenção da paz
no continente sul-americano e nas regiões que o conformam e o rodeiam, bem como
os espaços essenciais para a atividade econômica e para o livre comércio (Setentrião
Oriental, Costão Andino, Cone Sul e Atlântico Sul).
Fora deste âmbito, o Brasil tem interesses que correspondem às responsabilida-
des assumidas nos Fóruns Internacionais e Organismos Multilaterais e ao seu status
na ordem mundial. Este é conformado por uma combinação de fatores históricos,
políticos, estratégicos, militares, econômicos, científicos, tecnológicos e culturais.
Sem uma Defesa adequada, a Segurança Nacional e a perenidade desses interesses
estarão seriamente comprometidos e, consequentemente, não poderão ser assegu-
rados. Daí, ressalta-se a imperiosa necessidade de contarmos com Forças Armadas
preparadas, suficientemente poderosas e aptas ao emprego imediato, capazes de de-
sencorajar qualquer intenção de agressão militar ao país, pela capacidade de revide
que representam. Esta estratégia é enfatizada para evitar a guerra e exige, como
corolário, o fortalecimento da Expressão Militar do Poder Nacional, além de impor
um excelente grau de aprestamento e prontificação das Forças Armadas, desde o
tempo de paz, através da realização de treinamentos, exercícios operacionais dentro
de cada Força Singular, não sendo excluída a necessidade de Planejamento e do
treinamento de Operações Conjuntas e Combinadas no âmbito das FFAA. O estudo
da História, particularmente da História Militar de uma nação, conduz a conclusões
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O autor é Coronel-Aviador da Reserva da Força Aérea; conferencista especial da Escola Superior
de Guerra, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e vice-diretor do Instituto
Histórico-Cultural da Aeronáutica.

